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Produção de tecidos humanos artificiais podem substituir testes de cosméticos em animais

Equipamento reconstitui tecidos de pele, intestino e fígado e são nutridos por circulação sanguínea simulada


O dispositivo possui de três a quatro seções projetadas para acomodar tecidos humanos reconstituídos, e apresenta um sistema que simula a circulação sanguínea por meio de uma solução rica em nutrientes e oxigênio. Popularmente conhecido como human-on-a-chip ou body-on-a-chip (BoC), o aparelho tem sido cada vez mais utilizado por empresas farmacêuticas e de cosméticos para avaliar a toxicidade de produtos em fase de desenvolvimento.

 

Os compartimentos acomodam tecidos humanos reconstituídos de pele, intestino e fígado. A técnica que simula a circulação sanguínea permite que os tecidos funcionem como mini órgãos interligados. Atualmente, este dispositivo está ganhando popularidade no Brasil.y-on-a-chip (BoC), é usado por empresas farmacêuticas e de cosméticos para testar a toxicidade dos produtos em desenvolvimento, ganhando crescente popularidade no Brasil.

 

A técnica de impressão 3D, destacada na Pesquisa FAPESP nº 276, tem sido empregada na criação de tecidos de pele e intestino, enquanto a geração de tecidos do fígado ainda é feita manualmente. Esta inovação tecnológica também está sendo empregada experimentalmente para outras aplicações, conforme detalhado no anexo.

 

Juliana Lago, bióloga e pesquisadora no setor de avaliação pré-clínica da Natura, descreve o processo de teste com essa tecnologia: "Aplicamos o ingrediente que pretendemos testar na pele reconstituída e avaliamos sua toxicidade, simulando o funcionamento do corpo humano". Em março de 2023, o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), proibiu a prática de testes de segurança e eficácia de produtos de beleza, higiene pessoal e perfumes em animais. Desde 2006, diversas técnicas têm sido implementadas para substituir esses testes, e o BoC, importado de uma empresa alemã, é uma adição significativa a essas metodologias.

 

Ana Carolina Figueira, do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) em Campinas, coordenou o projeto de integração do chip com os tecidos. Além de detectar possíveis danos causados por agentes externos, os tecidos presentes nas cavidades do chip desempenham algumas funções dos próprios órgãos. Por exemplo, o minifígado produz bile e realiza processos de desintoxicação, enquanto as duas variedades de células intestinais formam uma barreira com o epitélio externo e liberam muco, um líquido gelatinoso branco ou amarelado que facilita a eliminação das fezes.

 

A startup 3D Biotechnology Solutions (3DBS), de Campinas, recebeu a licença para produção e os direitos de comercialização dos tecidos de fígado e intestino do CNPEM, em 2023. Em troca, além do pagamento de royalties, a empresa auxiliou no aprimoramento do processo de produção dos tecidos intestinais por meio de bioimpressão 3D e compartilhou o método de produção das peles humanas.

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