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Monitoramento de aves avalia impacto de turbinas eólicas na vida selvagem

Aves como albatrozes, cagarras e petréis, que dependem dos ventos fortes dessas áreas para se alimentar, passam grande parte de suas vidas no ar.

A implantação de turbinas eólicas no largo da costa da Califórnia e do sul do Oregon, capaz de fornecer energia limpa e renovável a milhões de lares, está cada vez mais próxima de se concretizar. Mas antes que a construção desses parques eólicos possa ser iniciada, cientistas estão empenhados em estudar e mitigar os impactos potenciais sobre a vida selvagem local.


Pesquisadores do Laboratório Nacional do Noroeste do Pacífico (PNNL) do Departamento de Energia (DOE) e da empresa de consultoria ambiental HT Harvey & Associates lançaram recentemente tecnologia inovadora na Costa Oeste em um dos primeiros esforços para entender como as aves marinhas interagem com turbinas eólicas e outras infraestruturas. O estudo foi publicado em 24 de abril na revista Frontiers in Marine Energy.


“Este é um passo importante na compreensão do comportamento das aves marinhas nas alturas das turbinas eólicas offshore na Costa Oeste”, disse Shari Matzner, cientista da computação do PNNL e coautora do estudo. Dados de cientistas em navios de pesquisa forneceram estimativas de quão alto os pássaros voam, mas “esta é realmente a primeira vez que temos dados quantificados em tempo real da altura de voo para essas aves”, afirmou Matzner.


Rastreando Aves


Os cientistas já estudaram os impactos das turbinas eólicas na Europa e na Costa Leste dos EUA, onde a indústria eólica offshore é mais desenvolvida. Estudos anteriores encontraram taxas muito baixas de colisões entre pássaros e turbinas eólicas offshore. No entanto, as águas profundas da Costa Oeste abrigam uma comunidade de aves marinhas muito diferente de ambos os locais, explicou Scott Terrill, principal especialista sênior em aves da HT Harvey.


Aves como albatrozes, cagarras e petréis, que dependem dos ventos fortes dessas áreas para se alimentar, passam grande parte de suas vidas no ar. Para economizar energia, essas aves utilizam um padrão de voo conhecido como “subida dinâmica”, pegando carona em rajadas de vento para ganhar altitude e depois descendo. Os pesquisadores querem saber se esse comportamento pode levar essas aves a voar na altura das pás das turbinas eólicas offshore, que se estendem de 25 a 260 metros acima da água.


“Certos tipos de aves marinhas realmente precisam do vento para voar eficazmente. Elas têm asas longas e estreitas, como planadores. É importante quantificar até que ponto as aves marinhas e as turbinas eólicas offshore podem se sobrepor”, disse Terrill.


Uso de Tecnologia Inovadora


No verão de 2021, DOE e PNNL, juntamente com o Bureau of Ocean Energy Management, lançaram uma bóia equipada com o ThermalTracker-3D (TT3D) do PNNL, um sistema de câmera estéreo que usa câmeras térmicas para rastrear pássaros em voo. Este é o primeiro uso dessa tecnologia no mar, após seu sucesso em monitorar aves e morcegos em turbinas eólicas terrestres. A equipe da HT Harvey avaliou os dados de voo das aves coletados pelo TT3D.


Localizada a cerca de 40 quilômetros da costa norte da Califórnia, a bóia TT3D monitorou o céu por quase 2.000 horas durante o verão de 2021, registrando mais de 1.400 pássaros. Dos pássaros rastreados, 79% voaram nos primeiros 25 metros acima do nível do mar, com a maior atividade nos primeiros 10 metros. Apenas 21% voaram em alturas que se sobrepunham às pás das turbinas e menos de 1% voaram mais alto.


“Esses dados contribuem para a compreensão básica do comportamento das aves e nos ajudarão a entender melhor como futuras turbinas eólicas podem afetar as aves marinhas”, disse Matzner, que liderou o desenvolvimento do TT3D no PNNL.


Proteção Contra Impactos Ambientais


O estudo é parte de uma extensa pesquisa do PNNL para minimizar o impacto dos projetos de energia renovável na vida selvagem. Complementando os dados do TT3D, os pesquisadores estão desenvolvendo um sistema de radar para rastrear o voo dos pássaros no mar, o que permitirá monitorar o comportamento de uma população de pássaros em locais destinados a turbinas eólicas.


O TT3D será implantado na Costa Leste este ano para estudar aves como parte do Projeto de Melhoria da Previsão de Vento, liderado pelo PNNL para aprimorar previsões meteorológicas.


Embora o TT3D possa detectar pássaros, identificar espécies ainda é um trabalho em andamento. Pesquisadores precisam entender como as aves podem ser afetadas além do risco de colisão, como a possível evasão de áreas com parques eólicos. Mais dados são necessários para compreender completamente esses impactos.

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