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Alzheimer: cientistas apontam novo tipo da doença

Estudo indica que quase todos os portadores de cópia dupla do gene Apoe4 têm predisposição para desenvolver a forma específica da enfermidade neurodegenerativa

Cientistas responsáveis pelo estudo acreditam que variante do gene pode ser a causa de um novo tipo da doença

Estudos conduzidos por uma equipe composta por doze pesquisadores espanhóis propõe uma nova abordagem no entendimento do Alzheimer, sugerindo que portadores de duas cópias da variante genética Apoe4 podem representar um grupo geneticamente determinado para um tipo diferente da doença. A descoberta, divulgada na revista Nature Medicine, traz implicações significativas para diagnósticos e tratamentos da enfermidade neurodegenerativa. De acordo com Juan Fortea, líder do estudo e diretor de pesquisa em neurologia e saúde mental do Instituto de Pesquisa Sant Pau, em Barcelona, a pesquisa baseou-se em dados de 3.297 cérebros doados ao Centro Nacional de Alzheimer dos Estados Unidos, desses 273 eram de pacientes com duplo Apoe4. Os pesquisadores também avaliaram exames clínicos e biomarcadores de mais de 10 mil pessoas com demência — incluindo 519 homozigotos do gene —, de cinco grandes estudos europeus Os resultados mostraram que quase todas as pessoas com duas cópias da variante apresentavam Alzheimer e marcadores mais evidentes da doença aos 55 anos, em comparação com aqueles com a versão Apoe3 do gene. Aos 65, 95% com homozigoto Apoe4 apresentavam níveis anormais da proteína beta-amiloide no cérebro, uma conhecida patologia inicial da doença.

A pesquisa sugere também que a identificação precoce da duplicidade do Apoe4 pode permitir intervenções terapêuticas mais eficazes antes mesmo dos sintomas clínicos se manifestarem. Reisa Sperling, coautora do estudo e diretora do Centro de Pesquisa e Tratamento de Alzheimer no Brigham and Women's Hospital, nos Estados Unidos, enfatizou que essa descoberta é crucial para a abordagem preventiva da doença.

"Atualmente, existem apenas duas drogas aprovadas para o tratamento do Alzheimer leve, mas há centenas de ensaios clínicos em andamento, especialmente nos Estados Unidos, país líder em pesquisas sobre a doença", garante Sperling.

Segundo os pesquisadores, a reclassificação pode mudar a pesquisa, o diagnóstico e as abordagens de tratamento do Alzheimer.

“Através destes dados podemos concluir que talvez esta seja uma forma genética desta doença, e não apenas uma indicação de factor de risco”, garante outro coautor do estudo, Sterling Johnson, do Centro de Investigação da Doença de Alzheimer da Universidade de Wisconsin. "Os dados mostram, claramente, que ter duas cópias do gene Apoe4 não só aumentam o risco, mas também antecipa o aparecimento da doença de Alzheimer, reforçando a necessidade de ações preventivas e estratégias específicas", assinala Victor Montal, coautor do estudo e especialista na análise de imagens de doenças neurodegenerativas. "Está claro que se trata de uma forma genética da doença. Outra opinião

David Curtis, professor honorário do Instituto de Genética da University College London, que apesar de não estar envolvido na pesquisa, não está totalmente convencido com as conclusões do estudo. Ele destacou que a presença de duas cópias da variante genética Apoe4 não necessariamente define uma forma genética distinta da doença de Alzheimer. "Não importa quantas cópias de APOE4 alguém carregue, os processos da doença subjacente parecem semelhantes nos casos de doença de Alzheimer", disse o professor. Testes genéticos podem detectar duplicidade do gene

De acordo com Otávio Castello, médico geriatra, professor de psiquiatria e psicologia médica da Universidade de Brasília (UnB), se a pessoa resolve fazer um teste para descobrir se tem o risco genético da doença, é um processo que precisa ser conduzido por um médico especialista, sendo que ainda não há tratamento nem cura para Alzheimer. A pessoa precisa estar preparada para lidar com a informação. "Lembrando que essa testagem não é disponível em laboratórios, o plano de saúde não cobre e a maioria é feita no exterior. É um processo que tem de ser conduzido por um especialista na área. Não é o geriatra, o psiquiatra ou o neurologista, mas o geneticista médico.", alerta o professor.

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